Agência Botafogo
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O Botafogo promoveu uma ação de conscientização sobre a violência contra a mulher em jogo do Campeonato Paulista Sub-20.
Antes de a bola rolar para a partida do Tricolor diante do EC São Bernardo, válida pela última rodada da primeira fase da competição, os jogadores e a comissão técnica da equipe botafoguense cobriram a boca durante um minuto de silêncio e mostraram o número 180 na mão.
A referência é à Central de Atendimento à Mulher, canal nacional de orientação e denúncia de casos de violência.
A ação foi criada pela Macfor, agência full service de marketing digital, e autorizada pela FPF (Federação Paulista de Futebol).
O gesto, que passou a ser punido em determinadas situações do futebol brasileiro, foi usado para representar o silêncio que ainda cerca muitos casos de violência doméstica.
Durante a transmissão, realizada pela Botafogo TV, a iniciativa também foi apresentada ao público por meio de depoimentos de atletas, do treinador Ruimar Kunzel e de Laura Louzada, gerente de Marketing do Botafogo Futebol SA.
“A gente acredita muito no futebol como um poder de transformação social e no papel fundamental que ele tem na sociedade para promover essa transformação. Por isso, buscamos nos engajar e acreditamos muito na voz do futebol nesse contexto. É o segundo ano consecutivo que a gente abraça esse debate e chama a atenção para a discussão sobre a violência contra a mulher”, afirmou Laura.
Os jogadores também participaram da mensagem exibida durante a transmissão.
Henrique Teles, lateral esquerdo do Sub-20, afirmou:
“Hoje a gente entrou em campo com o 180 nas mãos para mostrar que, contra a violência, não dá para ficar em silêncio.”
Na sequência, o goleiro Adriano, capitão da equipe, completou: “Se você precisa de ajuda ou conhece alguém que precise, ligue 180.”
O técnico Ruimar Kunzel também reforçou o significado da ação e a divulgação do canal de atendimento. “Hoje nós colocamos na nossa mão o número 180 para dar voz a uma causa muito importante, que não pode ser ignorada. Se você sofre violência ou conhece alguém nessa situação, não se cale. Denuncie. Ligue 180”, afirma Ruimar.
A escolha do futebol para a ação tem relação direta com dados do estudo Futebol e Violência contra a Mulher, divulgado em agosto de 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento aponta que os registros de lesão corporal dolosa contra mulheres aumentam 28,8% nos dias de jogos analisados.
Para Fabrício Macias, VP de Marketing e cofundador da Macfor, realizar a ação em uma partida masculina também foi uma forma de incluir os homens em uma discussão que não pode ficar restrita às mulheres.
“Precisamos colocar os homens nessa conversa. A violência contra a mulher não pode ser discutida apenas pelas mulheres. Homens também precisam reconhecer situações de violência, entender que não podem se omitir e fazer parte do enfrentamento ao problema. O futebol fala diretamente com um público masculino muito amplo, e usar esse espaço para provocar essa reflexão é parte do sentido da ação”, afirma Fabrício.
Além da alta de 28,8% nos registros de lesão corporal dolosa, o estudo aponta crescimento de 27,4% nos registros de ameaça. Quando consideradas especificamente as lesões ocorridas dentro das residências, o aumento estimado chega a 35,1%.
A segunda edição do levantamento analisou 308.315 registros policiais realizados entre 2023 e 2025 em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre. Entre mulheres de 15 a 29 anos, os registros de ameaça e de lesão corporal dolosa aumentam 44,4% nos dias de partidas considerados pela pesquisa.
O estudo não afirma que o futebol seja a causa da violência. A análise considera partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana e não teve como objeto competições de base.
Os pesquisadores identificaram uma associação entre os dias dos jogos estudados e o crescimento das ocorrências.
Mulheres em situação de violência ou pessoas que tenham conhecimento de casos podem procurar orientação e fazer denúncias pela Central de Atendimento à Mulher, no Ligue 180. Em situações de emergência, a Polícia Militar deve ser acionada pelo 190.
CRÉDITO: Rafael Cautella/Divulgação